quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cristiane Sobral finalista do Troféu Top Show - Oscar do cerrado


Marcondes( Diretor do Sindicato das Embaixadas), Patrícia, Cristiane Sobral, e Jurandir Luiz


Noite de festa e premiação. Divulgado, enfim, o resultado do Troféu Brasília Top Show, fui uma das finalistas. Parabéns aos ganhadores. Viva a arte e a cultura! Não conquistei o título, mas aproveitei demais a noite ao lado de amigos queridos e familiares. Agradeço de coração a indicação, os votos, o apoio de todos. Seriam muitos os nomes e poderia deixar alguns de lado, mas tenham a certeza de que o nosso trabalho segue em todas as circunstâncias. Não se trata de ganhar ou perder e sim de permanecer firme em nossas escolhas, aprimorando sempre o caráter.
Uma vitória da Cia de Arte Negra Cabeça Feita, da arte e da cultura brasiliense. Muito obrigada a todos!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O planeta dos macacos

O planeta dos macacos

Ele chegou ao topo. Grande esportista, carros de luxo, altos salários, moradas paradisíacas. Não fazia questão de afirmar a raça, porque afinal de contas, morava no país onde não existia racismo, onde todos eram negros, onde era um ícone do futebol. A bola não tinha cor e pronto. Não se envolvia com essas questões. Até que um dia, em uma decisão de campeonato, no auge de um drible, tropeçou em uma casca de banana atirada por um torcedor que gritava:
-Macaco! Macaco metido a besta! Pensa que só porque tem dinheiro deixou de ser preto? É preto sim! Preto safado! O jogador ainda tentou evitar o tombo, mas escorregou, entregando o seu corpo ao solo, trêmulo com a revelação. Deitado, enquanto aguardava os socorristas, o céu ameaçava chuva. Pensou:
-É, a minha pele é da cor do asfalto. Mas eu me dedico, sempre! Um negro deve ser o melhor! Em busca de uma alma branca, de um lugar ao sol! Eu não tinha percebido isso, essa cor. Não tive tempo. Nem sou tão escurinho... Mas esses torcedores são bossais! Inveja pura! Alguém gostaria de vestir a minha pele? Está um pouco suja, mas eu pago bem.

Cristiane Sobral
www.cristianesobral.blogspot.com.br

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Brindes - poesia de Cristiane Sobral - livros em abril

Promoção de abril! Queridos leitores, estamos em festa! Estamos já na segunda edição do livro " Não vou mais lavar os pratos", poesia, com destino a terceira edição e livro novo nos próximos meses. A primeira edição esgotou em apenas 6 meses! Temos muitos retornos preciosos, colheita fértil! Para presentear os leitores, ao adquirir o livro Não vou mais lavar os pratos mais o volume de contos "Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção", ambos da editora Dulcina, ganhará mais um livro de brinde. Mandem pedidos por mensagem no facebook ou no e-mail crisobral@uol.com.br enviaremos os dados bancários, podem escrever do DF e de todo o país até o fim de abril. Obrigada, luz e paz para todos!
Valor de cada livro - R$ 25,00
E-mail para contato - crisobral@uol.com.br


Telefone - 061 9153-1883 - Claro





domingo, 6 de abril de 2014

Haicai cabelo

Haicai cabelo

Se o cabelo é só um pelo
porque todo esse novelo
na situação?

Cristiane Sobral

sábado, 5 de abril de 2014

Fatal

Fatal
Fatal

A dor do amor
é ônibus que não vem,
parto sem neném,
assadura no calor.

A dor do amor
é câncer.
Mata.

Se quiser viver
tem que transformar,
virar outro,
arrancar a pele,
trocas as carnes
por dentro,
cauterizar.

A dor do amor é a tal
loucura
zomba da cura
a dor fatal
segue pirando a gente
morre e renasce depois das cinzas
depois do luto
ressurge fênix
depois do fim.

Cristiane Sobral

Ainda o pelo

Ainda o pelo

Cortei o cabelo.
Agora meu cerebelo
toca o céu.

Cortei o cabelo

Paguei o aluguel sem esforço,
fiquei mais exposta ao plutônio
mas ativei tanto meu neurônio
que nem sei.

Cortei o cabelo.

Renascida de verdade,
liberta da faculdade dos cabelos.

Do meu lado nenhum pelo,
nenhum tolo.

Cortei o cabelo

Fiquei sem.

Nota cem.

Amém.

Cristiane Sobral


Parque cidade?

Parque cidade?

Na capital do Brasil cidade playmobil
conheci a hipocrisia no edifício Parque Cidade
eu era feliz e não sabia
Edifício sombrio
malvado, bem vestido e perfumado
com ares de francesa ninfomaníaca
andava de perna aberta e apitava
no elevador metido a moderno
esquizofrênico, hipocondríaco
analfabeto funcional
não quero volver nunca mas
Parque Cidade?
estou ficando cada dia mais burra
estou ficando cada dia mais louca
esse prédio vai me levar a bancarrota
deixem-me no chão
vou pra rodoviária levar um violão
na companhia do povo encontrarei a cultura
tocar com o ceguinho da gaita
vender balinha no sinal
comer pão de queijo na Viçosa
dançar até morrer
nunca mais comer carboidrato
abolir a sociedade de controle
voltar pra casa disposta a fazer sexo
parar de pensar
sei lá
espere amor
tô chegando
ne me quite pas.

Cristiane Sobral